Neste artigo: Análise das projeções da CBIC para 2026, o papel do crédito e dos R$ 280 bilhões em investimentos privados em infraestrutura, e o que isso significa para empresas que planejam obras industriais, comerciais e logísticas.

Crescimento Moderado, Decisões Mais Exigentes
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor em 2026, terceiro ano consecutivo de alta, sustentado por crédito mais acessível, expansão do programa Minha Casa Minha Vida e avanço dos investimentos privados em infraestrutura. Crescer 2% em um ambiente de juros ainda elevados, pressão tributária crescente e escassez de mão de obra qualificada é, em si, um resultado expressivo.
O que os dados revelam, porém, vai além da manchete. Descrevem um setor em reconfiguração, onde custos operacionais seguem pressionando margens e prazos, e onde a qualidade da execução passa a ser o principal fator de diferenciação entre empreendimentos que geram retorno e aqueles que acumulam imprevistos.
Para empresas que planejam obras industriais, centros de distribuição, laboratórios ou expansões de plantas produtivas, entender essa dinâmica é vantagem competitiva.
Os Pilares do Crescimento em 2026
A projeção da CBIC apoia-se em quatro movimentos convergentes que não atuam de forma isolada:
O início do ciclo de redução da Selic representa o sinal mais aguardado pelo mercado. Após um período prolongado de taxa elevada, que comprimiu o crédito imobiliário e encareceu o financiamento de projetos industriais, a perspectiva de queda gradual injeta novo fôlego na cadeia produtiva, do incorporador ao gestor de infraestrutura corporativa.
As mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliaram o valor dos imóveis financiáveis, devem ampliar a disponibilidade de crédito para projetos que dependem de instrumentos tradicionais de financiamento, incluindo empreendimentos de uso misto.
O avanço do Minha Casa, Minha Vida, com novos recordes de contratação via FGTS, aquece a base de fornecedores, prestadores de serviço e absorvedores de mão de obra em toda a cadeia. Com impacto indireto sobre o mercado de insumos em segmentos industriais e comerciais.
E o fator de maior relevância para o segmento corporativo: os investimentos em infraestrutura atingiram R$ 280 bilhões em 2025, crescimento estimado de 3% sobre 2024, com o capital privado respondendo por 84% do total, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). Essa predominância do capital privado sinaliza que o mercado mantém apetite por projetos bem estruturados, com governança clara e retorno mensurável, mesmo em ambiente de custo de capital elevado.

Três Desafios que o Setor Carrega para 2026
A sondagem da construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da CBIC, mapeia os gargalos que seguirão pressionando o setor ao longo do ano:
Carga tributária. Pela primeira vez, a tributação superou os juros como principal preocupação dos empresários do setor. As incertezas da Reforma Tributária, alíquotas, obrigações acessórias e incentivos fiscais, introduzem variáveis que complicam o planejamento financeiro de projetos de médio e longo prazo. Contratos fechados hoje precisam antecipar esse risco.
Custo da mão de obra. Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,92%, bem acima do IPCA de 4,26%. O componente de mão de obra avançou 8,98% no período. Com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor ao final de 2025 (crescimento de 3,08% sobre 2024), a demanda por profissionais qualificados segue superior à oferta, cenário que não se reverterá no curto prazo.
Custo de capital. O ciclo de queda de juros será gradual. Projetos viabilizados agora ainda convivem com financiamento caro, o que eleva a exigência por propostas construtivas que entreguem previsibilidade real de prazo e custo desde a fase de planejamento.
Como sintetizou o presidente executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho:
"A elevada carga tributária, os juros altos e o alto custo da mão de obra são os principais problemas enfrentados pelo setor."
São desafios reais, que nenhuma análise séria pode minimizar.

O Que o Consumo de Cimento e o Emprego Revelam
Por trás das projeções macroeconômicas, indicadores físicos contam a história do que efetivamente acontece nos canteiros. O consumo de cimento atingiu 66,9 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3,68% sobre 2024, este dado é relevante porque registra atividade concreta, não apenas intenção de investimento.
No mercado de trabalho, o setor encerrou 2025 com 886.709 novos postos criados entre 2020 e 2025, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED/MTE). A combinação de consumo físico em alta e mercado de trabalho aquecido confirma que a base de atividade do setor é mais sólida do que os números macroeconômicos agregados poderiam sugerir isoladamente.
Eficiência Operacional: O Fator Decisivo em Ciclos de Crescimento Moderado
Em cenários de expansão acelerada, o volume de atividade tende a reduzir a pressão por diferenciação técnica. Em ciclos moderados como o projetado para 2026, o padrão de exigência sobe: controle de custos, previsibilidade de prazo e especificações construtivas consistentes deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos de viabilidade.
Três dimensões tornam-se fatores críticos de sucesso para quem investe em obras industriais e comerciais:
Precisão no planejamento. A fase de projeto é onde se define o custo real da obra. Compatibilização de projetos, levantamento criterioso de quantitativos e especificações técnicas rigorosas antecipam problemas.
Controle de prazo como variável financeira. Com capital mais caro, obras industriais que retardam o início de operações produtivas geram despesa dupla: custo direto da construção e custo de oportunidade da operação que não acontece.
Tecnologia orientada à eficiência operacional de longo prazo. Investimentos em eficiência energética, isolamento térmico, iluminação natural e captação pluvial se tornaram fatores de competitividade mensuráveis. Uma planta projetada com foco nesses atributos reduz custos operacionais ao longo de toda a sua vida útil.

Segmentos em Destaque para 2026
O ambiente favorece organizações que enxergam a obra não como custo, mas como investimento em ativo de produção. Segmentos como logística de última milha, agroindústria, laboratórios farmacêuticos e de pesquisa e centros de distribuição refrigerados concentram parcela relevante dos investimentos privados projetados para o ano. E cada um deles carrega especificações técnicas próprias que exigem construtoras com experiência documentada em suas particularidades operacionais.
Adicionalmente, o programa Novo PAC, com investimentos previstos em infraestrutura urbana, saneamento e mobilidade, e o Reforma Casa Brasil, em fase de estruturação com aporte expressivo de recursos públicos no setor habitacional, adicionam camadas de atividade ao mercado, reforçando a importância de contratações feitas com antecedência e especificações bem definidas para mitigar riscos de inflação de insumos e escassez de mão de obra especializada.
Em 2026, o Parceiro Construtivo é Parte da Estratégia
O crescimento de 2% projetado pela CBIC é resultado consistente em contexto desafiador, mas não se distribui de forma uniforme entre todos os projetos e parceiros construtivos.
Os empreendimentos que capturam o melhor desse ciclo combinam visão estratégica do investidor com execução técnica rigorosa: obras entregues no prazo, com custo controlado, especificações que elevam a eficiência operacional e conformidade com todas as regulamentações técnicas e ambientais vigentes. Assim como grandes obras industriais que se sustentam por décadas começam por uma fundação bem executada, as decisões certas no início do ciclo de 2026 definirão quais empreendimentos gerarão retorno consistente ao longo de sua operação.
“Em projetos industriais e comerciais de grande porte, o parceiro construtivo é parte da estratégia, não apenas um prestador de serviço.”
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As projeções e dados citados neste artigo têm caráter informativo e foram extraídos de fontes públicas. As estimativas setoriais estão sujeitas a revisões posteriores por parte das entidades emissoras.
Referências e Fontes
- CBIC — Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Construção civil projeta 2026 mais positivo que 2025, impulsionado por crédito e investimentos. Publicado em 11/02/2026.
- ABDIB — Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base. Estimativas de investimento em infraestrutura 2025. Disponível em: abdib.org.br.
- CNI — Confederação Nacional da Indústria. Sondagem da Construção — 4º trimestre de 2025. Disponível em: cni.com.br.
- FGV IBRE — Instituto Brasileiro de Economia. INCC — Índice Nacional de Custo da Construção, acumulado 2025. Disponível em: portalibre.fgv.br.
- IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) e PNAD Contínua — dados do setor da construção civil 2025.
- MTE/CAGED — Ministério do Trabalho e Emprego. Cadastro Geral de Empregados e Desempregados — saldo de empregos formais na construção civil, 2020–2025.
- SNIC — Sindicato Nacional da Indústria do Cimento. Consumo nacional de cimento 2025: 66,9 milhões de toneladas.